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Clássicos

por Junior Almeida

Histórias a bordo de um clássico - Do francês para o americano: Chrysler Esplanada. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Junior Almeida   
Qua, 13 de Fevereiro de 2013 09:58
1917-Simca_Esplanada_II

Com passaporte carimbado para o Brasil em 1959, o francês SimcaChambord chegava esbanjando requinte com um desenho moderno carregado por adornos que o faziam ser o mais belo dos automóveis fabricados por aqui.

O interior acompanhava a elegância externa, com amplo espaço para cinco pessoas os materiais que rodeavam seus ocupantes eram refinados e com acabamento bem acima do que estávamos acostumados a ver, logo o Chambord alcançou o status de carro de luxo dominando um nicho pouco explorado pelas outras montadoras o que garantiu seu sucesso por um bom período.

Em meados da década de 1960, a concorrência já havia crescido contando agora com Aero Willys e Alfa Romeo 2150 projetos que vinham tendo um investimento pesado de suas fabricantes para modernizar e atualiza-los.

Enquanto isso, a situação financeira da Simca não era das melhores e a matriz não estava investindo na filial brasileira que por sua vez mantinha uma linha de automóveis defasada perante a concorrência que vinha surgindo, concentrando suas forças nas modificações no propulsor V-8 que vinha passando por modificações desde a introdução do Chambord no mercado brasileiro.

No salão de São Paulo de 1966 a Simca apresentava para o grande publico e a imprensa especializada seu mais novo produto, o Esplanada. Na dianteira, os novos faróis em formato hexagonal com belas formas chamavam atenção junto a grande cromada de frisos horizontais e novos para choques, a traseira trazia novas lanternas verticais de formato retilíneo e completava o estilo sóbrio, porém alinhado com as ultimas tendências norte-americanas.

O interior não sofrerá grandes modificações e se mantinha praticamente o mesmo do Chambord, apenas com novos bancos em couro, painel com aplique em jacarandá e tapetes em veludo do resto tudo já era conhecido dos consumidores.

O propulsor V-8 EMI-SUL ganhava um novo carburador, agora de corpo duplo DFV que conservou o torque de 23m.kgf disponível aos 3.300 rpm e os 140 cv de potencia que o levavam a 160km/h com facilidade.

Com a compra da Simca do Brasil pela Chrysler em poucos meses mudanças drásticas aconteceram dentro da fabricante, o então engenheiro Jean Jacques Pasteur que tomava as rédeas da fabricante francesa deu lugar ao americano Victor G. Pike.

Sua primeira ordem para botar ordem na casa foi mandar lavar todo o piso da fabrica paralisando a produção por três dias demitindo 500 dos 1700 empregados, tudo para colocar em dia as contas da casa.

A tarefa de Pike era reconquistar os clientes da Simca, em toda a jornada do luxuoso francês em terras brasileiras os problemas de qualidade sempre percorreram seus produtos, boa parte disso arranhou a qualidade e a confiança no automóvel.

Para isso foi despachado dois Esplanda para a central de engenharia da Chrysler em Detroit para passar por uma longa bateria de testes de qualidade que resultou em 53 modificações tudo em nome da credibilidade.

Externamente as maiores novidades se concentravam na dianteira que ganhava um novo conjunto ótico agora com dois faróis circulares em cada lado inseridos em uma nova moldura junto a uma grade com um largo friso que saia de uma parte da moldura dos faróis até a outra formando um conjunto elegante.

Em 1967 a Chrysler assumia o controle total da Simca, descontinuando a fabricante francesa e seus produtos identificado agora pela plaqueta no porta malas “Fabricado pela Chrysler do Brasil”, a linha da fabricante americana era composta por duas versões, o Esplanada a opção mais luxuosa contava com todos os mimos e requintes de acabamento e a versão de entrada Regente que trazia o básico em um automóvel com a qualidade e o acabamento digno de um modelo da sua categoria e não um pé de boi.

Para impulsionar as vendas, a Chrysler passou a oferecer a inovadora garantia de dois anos ou 36 mil quilômetros destacando a confiança que o fabricante tinha em seu produto uma tática que beneficiava o consumidor e reconstruía a imagem da marca e de seus produtos de qualidade.

Grande parte da construção da imagem da Chrysler no Brasil foi apoiada em uma forte campanha publicitária que acompanhou a evolução de seus produtos sempre destacando o apelo elegante com descontração no layout e na tipografia usando e abusando das modelos loiras guiando os novos veículos da marca.

No Salão do Automóvel de 1968 a Chrysler apresentava a versão apimentada denominada GTX que trazia as maiores novidades o câmbio manual de quatro velocidadescom alavanca no assoalho, que já era um opcional na versão básica.

O motor era o mesmo Emi-Sul que equipava as demais versõesmas o mais chamariz dessa versão estava em seu exterior que se diferenciava pelas molduras pretas dos faróis, rodas cromadas exclusivas e faixas pretas de ponta a ponta sem contar as cores exclusivas, como opcional havia faróis de neblina e teto de vinil. O interior trazia bancos dianteiros individuais e mais anatômicos separados por um console no centro com um aplique que imitava jacarandá, sem deixar de lado a sofisticação.

Havia itens exclusivos que faziam a febre entre os jovens como o um conta-giros, um item ainda raro e o volante Walrod de três raios com vazados circulares que oferecia boa pegada digno de um esportivo que se prese.

O desempenho do GTX não chegava a impressionar, no teste da revista QUATRO RODAS em março de 1969, o GTX marcou a velocidade máxima de 165,19 km/h na sua melhor passagem, porém a aceleração de 0 a 100 km/h perdeu para o Regente, ficando com 15,3 segundos, contra 14,7 da versão básica da linha.

Este foi a ultima novidade apresentada pela Chrysler para o Esplanada, em 1969 era apresentado o Dodge Dart já como modelo 1970, um automóvel com projeto mais moderno e soluções atuais para os novos tempos que viriam, os dois modelos conviveram juntos por um tempo até sua aposentadoria natural no primeiro semestre de 1970 dando espaço para a brilhante carreira do Dart e suas variantes.

Para completar esse texto, o seu escriba se despede ao som de YouMake Me Fell da banda Sylvester trilha sonora da novela DancinDays que marcou essa época de transição dos pensamentos e da sociedade brasileira.

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1917-Simca_Esplanada_V

1917-Chrysler_Esplanada_196U

1917-Chrysler_Esplanada_V

1917-Chrysler_GTX_II
 
Histórias a bordo de um clássico - Transparência entre rodas. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Junior Almeida   
Qua, 19 de Dezembro de 2012 08:47
1951-Gurgel_Motomachine_V

Já imaginou como seria ter um automóvel onde as portas sejam verdadeiras janelas, trazendo uma experiência totalmente inusitada ao transitar pelos centros urbanos a bordo de um carro com mobilidade urbana graças aos pouco menos de 3 metros de comprimento, teto rígido e de lona e um propulsor dois cilindros opostos refrigerado a água capaz de render 25km/L este é o Motomachine, a Gurgel reinventando o automóvel.

João Gurgel, além de Industrial e Engenheiro foi um verdadeiro patriota, um brasileiro que acreditou no potencial de seu pais ao projetar o primeiro automóvel legitimamente brasileiro em serie, em uma época onde a economia era instável, a inflação subia disparadamente chegando a números surpreendentes com consequências selvagens durante boa parte da década de 1980 e meados da década posterior.

Com o lançamento do BR-800, o sonho de produzir um automóvel estritamente urbano, uma tendência já aplicada por outras fabricantes fora do Brasil principalmente no Japão de onde João extraio a possibilidade de motorizar a nação brasileira com seu city-car.

O propulsor desenvolvido pela Gurgel, um projeto único no mundo. O motor fundido em liga de alumínio-silício foi batizado como Enertron, com uma ignição controlada por um microprocessador, que tinha garantido de cinco anos e não havia necessidade de distribuidor, pois o disparo era simultâneo nos dois cilindros, o motor bi-cilíndrico reunia alguns aspectos surpreendentes, podia ser levado a praticamente 6.000 rpm sem flutuação de válvula, diferente do propulsor Volkswagen usado em outros modelos da marca.

A economia era sua maior estratégia, com um alto indicie de quilômetros por litro, com uma média de 21km/l na estrada uma média inacreditável ainda hoje. Com uma criação inteiramente brasileira, a suspensão dianteira não podia ser diferente e usava amortecedores criados pela Gurgel, os springshock. Era uma mola capsulada dentro de um cilindro blindado cheio de fluído viscoso, ou seja, ao invés de amortecedor hidráulico separado, os dois componentes eram reunidos em uma unidade só, já na traseira feixes de molas que garantia uma boa dose de conforto para o uso urbano, sua proposta principal.

No Salão do automóvel de 1990, Gurgel trouxe ao publico sua maior novidade em locomoção urbana. O Motomachineveio para trazer um novo olhar sobre o que é dirigir e trafegar pela cidade de um modo no mínimo inusitado, pelo menos ao primeiro olhar.

Era possível fazer praticamente tudo, ou melhor, transforma-lo em tudo, com ele vinha uma capota de lona e outra de fibra de vidro removível. Era possível rebater o para-brisa para cima da área do teto oferecendo a liberdade e a emoção de uma moto, com o conforto e a segurança de um carro e o charme que só ele poderia trazer.

Mesmo sendo pouco menor do que o BR-800, ele possui espaço suficiente para dois ocupantes, eu já estava esquecendo, há um banco atrás, ao estilo 2+2, mas só se você for transportar anões ou um dog alemão, por que normalmente o espaço também é utilizado como porta malas. As portas de acrílico são realmente uteis, ao estacionar não há nenhum ponto cego no carro, pois tudo é transparente e é fácil observar tudo ao seu redor e todos iram te observar, por que ele não passa despercebido.

Guiar o Motomachine é ainda mais divertido, com a distribuição de peso menor, a agilidade já aparece nos primeiros metros com o pequeno, mas não espere um alto desempenho, esqueceu que ele é um urbano com apenas 34cv. A direção leve e o cambio de quatro marchas demonstra precisão, tudo o que se é necessário no transito paulista, mais o charme de ter um na garagem.

Com cerca de 177 unidades fabricadas, a exclusividade foi uma de suas marcas mas o passo da fabricante foi maior, ele serviu como um laboratório para a introdução do Supermini em 1992, a evolução do city-car do Gurgel, tema para uma próxima conversa.

Contatos do autor: Júnior Almeida - www.esporteautomotor.blogspot.com

1951-Gurgel_Center_Rio_Claro_II

1951-Projeto_Cena

1951-Rotamaq
 
Histórias a bordo de um Clássico - A Evolução: Variant II PDF Imprimir E-mail
Escrito por Junior Almeida   
Qui, 29 de Novembro de 2012 18:16
1979_-Variant_II

Hoje em dia o seguimento das StationWagons ou Peruas está em baixa, com ofertas que se limitam entre duas opções mais fortes consagradas no mercado que se confrontam a um bom tempo à Palio Weekend da italiana Fiat e a Spacefox da Volkswagen travam uma briga pela liderança no seguimento angariando proprietários que buscam espaço, conforto e economia aliados a dirigibilidade de um hatch diferente das minivans e os utilitários esportivos compactos que abocanharam seu publico alvo, mas a um tempo atrás isso era bem diferente.

Logo após a aquisição da DKW pela montadora a Volkswagen havia descontinuado toda a linha dos modelos dois tempos fazendo com que a só restasse a Simca Jangada no mercado, um modelo com uma proposta mais luxuosa do que a Vemaguet que atendia a classe média na época.

Com a descontinuação da perua, a valorização e a procura por um modelo usado disparou pois as famílias queriam um veiculo que atendesse as necessidades de sua família, levando tudo e mais um pouco no porta-malas do modelo sem que o desempenho, conforto e até a dirigibilidade do modelo fosse afetada, nada como prazer em dirigir, claro.

Aproveitando isso, em 1969 a Volkswagen apresentou a Variant, uma perua derivada do excêntrico 1600, o primeiro modelo da marca alemã com quatro-portas apelidado de Zé do Caixão, criatividade brasileira como sempre, pelas linhas retilíneas que lembravam um caixão sendo as maçanetas as alças.

Diferente do irmão, o desenho harmonioso conquistou os órfãos da Vemaguet com o incrível espaço para acoplar as bagagens e mais tralhas da criançada graças ao duplo porta-malas, na frente e atrás graças a instalação do propulsor dentro do carro em um compartimento que não agradava muito devido ao calor que o motor exalava e o alto nível de ruído, além do que estávamos acostumados nos tradicionais Volkswagen. As entradas de ar ocupavam as laterais traseiras fazendo com que o desenho delas se tornasse uma das características marcantes dessa primeira geração.

O interior trazia o básico para se guiar um automóvel, o acabamento seguia uma linha mais sofisticada se comparada ao Fusca e Kombi. Com painel que imitava madeira nobre, claro, um mero aplique, e bancos com uma anatomia muito melhor do que se costumava encontrar na gama da marca. Mas mesmo assim, a simplicidade dominava na montagem das peças um dos pontos críticos do modelo.

O propulsor 1600 com dupla carburação era suficiente para levar a Variant com esmero durante o trajeto do dia a dia, mas em viagens e o carro carregado não era o que se esperava de um modelo familiar mas chegava-se ao destino sem que houvesse dor de cabeça no caminho.

Com o passar dos anos, a Variant se tornou um automóvel muito bem vendido e adorado tanto pelas mulheres, quanto por seus maridos e quem diria seus filhos que tinham amplo espaço no interior. Com a concorrência chegando ao inicio dos anos 70, as montadoras foram se interessando por esta fatia do mercado, a Ford apresentou a Belina em 1970, uma stationwagon baseada no pop-star Corcel que veio para fazer frente à perua da Volkswagen, deixando uma briga acirrada durante décadas.

O ano de 1978 foi decisivo, depois de quase nove anos no mercado a Variant vinha perdendo terreno para a concorrência, a Belina acabara de ganhar uma nova geração junto ao Corcel II aperua da Ford estava anos luz a frente, não só esteticamente, mas todo o projeto trazia soluções modernas e respostas a problemas antigos sem contar o recém apresentado motor CHT que seria usado no Escort alguns anos na frente.

Para não ficar a trás, a Volkswagen tratou de apresentar a Variant II, uma evolução do modelo original com uma solução para a maioria das criticas a simplicidade do modelo e suas soluções ultrapassadas. Com visual emprestado da Brasília, as linhas retas predominavam no desenho do modelo, notava-se a modernidade logo de cara principalmente o ganho de proporção, colocando na régua a Variant II ficou cinco centímetros mais larga do que a primeira geração, esse ganho foi convertido em mais espaço no interior, sem contar a imensidão nos dois porta malas.

Vista de lado ela era uma variante da Brasília, a Volkswagen associou a imagem da Variant à da Brasília. De tão parecidas a imagem de modernidade e de um automóvel que ditava tendências na época essa associação entre os dois modelos teve bons frutos na evolução da perua, com a mesma identidade visual, a Variant II seguia na onda da modernidade pois as pessoas a viam com os mesmos olhos e com a ideia de sofisticação que a marca procurou trazer nesta nova faze do modelo.

As mudanças eram de saltar os olhos, o interior seguia a risca a modernidade da Brasília e deixava para trás a fama de espartano, começando pelos bancosque ficaram mais largos trazendo agora um encosto alto e cinto de segurança de três pontos além do tecido de curvim. O painel era composto por instrumentos retangulares, com uma boa visibilidade graças ao volante de fina empunhadura que facilitava o contato com o painel repleto de instrumentos, entre eles conta-giros, velocímetro, luz de aviso do óleo e uma serie de itens opcionais dentro do catalogo comoventilação forçada, limpador e lavador elétrico do vidro de trás, relógio e o rádio estéreo AM/FM. Quem ia atrás não tinha do que reclamar, o banco com 13 centímetros mais largo do que o anterior acomodava confortavelmente três passageiros, cachorros, gatos, passarinhos e por ai vai.

Um bom exemplo de como a Variant II era um coração de mãe, onde sempre cabe mais um ficou claro em um dos primeiros anúncios domodelo que trazia o slogan “Variant II, um carro para Pais e Filhos”e realmente os dois porta-malas eram de fazer inveja, com o banco traseiro na posição normal, eram 467 litros se ele fosse rebatido, esse espaço aumentava para 954 litros, sem contar os 137 litros extras no porta-malas dianteiro. Mas se antes ela tinha a maior capacidade de bagagem, desta vez ela ficava atrás da Belina e da Caravan.

Um dado interessante na história da Variant II é que ela é o ultimo projeto da Volkswagen equipado com o motor boxer a ar na traseira, alias, o propulsor 1600 de quatro cilindros totaliza 67 cavalos de potencia, apenas dois a mais do que a anterior, obtidos com um novo comando de válvulas e duas saídas de escapamento, assim como na Brasília.

O grande trunfo de engenharia estava na suspensão, antes usando barras de torção, agora com McPherson e molas helicoidais na dianteira, atrás havia suspensão independente de dupla articulação e braços semiarrasadosque deixavam o sistema mais rígido além dos pneus radiais, uma configuração nunca antes vista em um Volkswagen nacional, mas sim no Porsche 911, seu esquema básico de suspensão é bem parecido ao esportivo alemão e bastante semelhante ao 924/944 .

A dirigibilidade estava afrente de qualquer outro Volkswagen em seu ano de lançamento, se por fora ela era idêntica a Brasília, ao dar partida e engatar as marchas ela se mostrava muito mais divertida e bem mais acertada, garantindo uma direção segura e muito estável dando um banho na concorrente. No dia a dia, a leveza da direção e a precisão nos engates eram trunfos que o modelo trazia que caíram no gosto dos consumidores, sem falar no conforto, graças a nova suspensão e a economia de combustível, segundo o comparativo da revista Quatro Rodas em janeiro de 1978, a Variant se mostrou a mais econômica diante da Belina e da Caravan. Com vendas que desapontavam, ela durou pouco no mercado saindo em 1982 junto a Brasília que seria substituído pelo Gol, o mais novo lançamento da marca, meses depois chegaria a Parati que seguiria o legado deixado pelo modelo.

Contatos do autor: Júnior Almeida - www.esporteautomotor.blogspot.com

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