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Alta Roda

por Fernando Calmon

Coluna Alta Roda Extra - VISÃO NOTURNA MAIS SEGURA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Calmon   
Sex, 17 de Maio de 2013 18:47
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Grandes avanços em iluminação para veículos estão em marcha nos próximos anos. Hoje, a tecnologia de ponta concentra-se na utilização de diodos emissores de luz (LED, na sigla em inglês) nos faróis. Há cinco anos os LEDs chegaram de forma discreta em lanternas de freio. Entre as vantagens destacam-se a durabilidade maior do que a vida útil do carro e a resposta imediata ao acendimento em comparação às lâmpadas convencionais de filamento.

Simultaneamente encontraram novas aplicações como terceira luz de freio e, agora, em luzes de uso diurno que os fabricantes europeus adotaram mesmo sem legislação obrigatória em todos os países. Os LED dispostos em carreiras permitem inúmeras formas geométricas e, assim, se transformaram também em elementos estilísticos muito apreciados. Cada fabricante pode desenvolver identidade própria.

Das lanternas passaram para os faróis por permitir potência de iluminação bem mais alta e precisa, porém gastando menos energia que lâmpadas de xenônio, a referência atual. O custo é elevado. Tanto que estreou no A8, topo de linha da Audi. Novos modelos premium, como o recente BMW Série 6 Gran Coupé, seguem a tendência.

Passo seguinte é utilizar o LED (diodos orgânicos emissores de luz, em inglês), desde que se consiga estabilizar a temperatura de funcionamento. A fabricante alemã de lâmpadas Osram acaba de anunciar que, em testes de laboratório, conseguiu manter diodos orgânicos funcionais a até 85 graus Celsius por várias centenas de horas. Quando as experiências começaram, três anos atrás, eles não resistiam mais que duas ou três horas. No entanto, a durabilidade terá que ser 10 vezes maior do que esse estágio em aplicações veiculares. Exigirá mais alguns anos, porém em tempo da próxima geração de carros atuais.

Mais novidades estão a caminho. Engenheiros da Universidade Carnegie Mellon, dos EUA, estudam o farol inteligente que usa uma câmera a bordo do veículo para acompanhar o movimento das gotas de água da chuva ou de flocos de neve. Eles descobriram como redirecionar de modo contínuo o facho dos faróis de tal forma que os raios de luz passem entre as gotas para evitar a reflexão responsável pela dificuldade do motorista enxergar sob chuva intensa. Se isso já é útil de dia, imagine à noite quando os riscos são bem maiores.

O chefe da pesquisa, Srinivasa Narasimhan, professor do Laboratório de Iluminação e Imagem da universidade, está confiante: “Se o motorista enfrentar forte tempestade, os faróis inteligentes poderão fazer com que pareça uma garoa”. Nos testes de laboratórios, o protótipo conseguiu prever as gotas de chuva e ajustar o farol em 13 milissegundos. Na prática, eliminaria até 80% da chuva visível, mesmo sob quase dilúvio, com perda de iluminação de apenas 6%, desde que o veículo trafegue em baixa velocidade.

Para velocidades usuais em estradas, o sistema teria que funcionar a cada cinco milissegundos, o que demandará mais tempo de pesquisa. Além disso, será necessário trabalhar para tornar o dispositivo compacto o suficiente para instalação em um automóvel e iniciar testes de campo.

Outras evoluções dos faróis no futuro podem ser vistas em interessante animação da Volvo, no You Tube: http://tinyurl.com/aq8qxyk .

 
Coluna Alta Roda - CORRIDA TECNOLÓGICA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Calmon   
Sex, 03 de Maio de 2013 10:19
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Agora sob perspectiva de atingir metas mandatórias em cinco anos – aumento de índice de localização, aperfeiçoamento de processos industriais e diminuição de consumo de combustível – a indústria automobilística deve se voltar a fornecedores de componentes e serviços. Nem com todas as regulamentações ainda de todo conhecidas do programa Inovar-Auto, já se fala em Inovar-Peças, ideia que surgiu sem formatação definida. Reflete conceitos genéricos e, outra vez, cria certa dependência de iniciativas governamentais tendentes a criar artificialismos.

Foi esse clima que marcou a recente Automec – Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços – cuja 11ª edição, realizada em São Paulo, lotou os 78.000 m² do Anhembi. Trata-se de exposição para profissionais do ramo e atraiu 1.200 empresas, de 31 países, inclusive os cada vez mais presentes chineses, tanto do continente como da ilha de Taiwan. Em edições passadas, eles ficaram um tanto confinados, porém não dá para resistir às suas ofertas de baixo preço, embora com qualidade, em geral, ainda a se confirmar.

Entre os expositores felizes, sem dúvida, dois grandes fornecedores, BorgWarner e Honeywell/Garrett. Estão confiantes de que a tecnologia downsizing, de redução de cilindrada e uso de turbocompressores, é a tendência irreversível, reflexo do que ocorre no exterior. Se até 2017 o mercado interno atingir cinco milhões de unidades por ano, parecem factíveis 20% (um milhão de motores) receberem tais componentes. Injeção direta de combustível, ideal para essa aplicação inclusive em motores flex, também disparou uma corrida que, além das tradicionais Bosch, Delphi e Magneti Marelli, inclui agora a Continental.

De fato, se já existe algum reflexo do Inovar-Auto, ficou explícito na Automec. Algumas tecnologias avançavam lentamente no Brasil e passam agora por bom impulso. Correntes de acionamento de válvulas (em substituição a correias dentadas que exigem trocas periódicas) e compressores compactos de ar-condicionado, ideais para os novos motores de três cilindros, são alguns exemplos. Às vezes, podem trazer economia de combustível de apenas 1%, como velas de ignição com eletrodo de irídio, da NGK, muito caras. Porém, duram quatro vezes mais e, assim, parte do seu custo é compensável.

Sistemas mais complexos, como embreagens duplas para caixas de câmbio automatizadas, fabricadas na Alemanha pela Schaeffler, conviveram com soluções práticas e acessíveis, na feira. Um fabricante nacional, Power Stop, desenvolveu servofreio para modelos que nunca tiveram esse conforto: Fusca, Jeep e picapes antigas. Gates mostrou uma ferramenta para medir desgaste de correias. Tenneco/Monroe apresentou linha de amortecedores com garantia de três anos ou 60.000 quilômetros, impensável anos atrás.

Grandes produtores de autopeças, a exemplo de Bosch e Delphi, anunciaram que continuam a ampliar suas redes de oficinas com padrão definido de atendimento. Além de estimular profissionalização em processos e garantia dos serviços, entram na luta por atrair clientes de concessionárias, autocentros e oficinas convencionais. Resultado tem sido manutenção de qualidade a preços menores.

RODA VIVA

OBJETIVO do novo presidente da Anfavea, Luis Moan, é atacar a falta de competitividade para exportação de veículos brasileiros. Hoje, o País vende no exterior menos da metade do volume de 2005. Sem ajuda de desvalorização cambial do passado, o chamado custo Brasil é grande empecilho, além da carga de impostos “escondida” exportada junto com os veículos.

SUV MÉDIO S5, da JAC, que só chegará aqui em 2014, estreia a segunda geração de arquiteturas da marca chinesa. Em rápida avaliação em Hefei, cidade-sede do grupo, o carro passou sensação de robustez. Interior e materiais utilizados subiram de nível, embora ainda tenham que evoluir. No padrão de teste colisão vigente na China é primeiro a obter cinco estrelas.

POSIÇÃO ao dirigir e o volante de pequeno diâmetro para permitir visão do quadro de instrumentos por cima do aro são sensações notáveis no Peugeot 208. Toda a atmosfera interna do carro é bastante agradável, inclusive o teto solar panorâmico, embora cortina interna devesse isolar melhor o calor. Motor de 1,45 l/93 cv não é ideal. Suspensões estão bem acertadas.

PRODUÇÃO do utilitário esporte ix35 em Anápolis (GO), em instalações da Hyundai-CAOA, sofre novo atraso. Primeira previsão era final do ano passado, depois passou para março e, agora, próximo trimestre. Especulações apontam demora nas negociações com o BVA, sob intervenção do Banco Central. Grupo CAOA tem R$ 600 milhões emperrados naquela instituição.

PUBLICAÇÃO do Sindipeças confirmou indicadores internacionais do Brasil em 2012: quarto maior mercado interno e sétimo produtor mundial. Frota real de 38.025.799 unidades (sem motos) está em nono, no mundo. Em número de habitantes por veículo – 5,5 – o País aparece em distante 15º lugar, ou seja, muito ainda para crescer.

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Coluna Alta Roda - OPULÊNCIA CHINESA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Calmon   
Sex, 26 de Abril de 2013 09:57
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Como tudo na China é grandioso, o Salão do Automóvel de Xangai, maior cidade do país mais populoso, não poderia ser diferente. A começar pelo número de marcas locais desconhecidas no mundo ocidental e focadas no mercado local. Apenas para citar algumas: Baojun, Bestern, Dongfeng, Emgrand, Englon, GAC, Haima, Haval, Hauwtai, Icona, Oley, SouEast, Zinoro e Zotye. Na maioria dos estandes as informações se limitavam a folhetos em chinês e sem informações em inglês para imprensa estrangeira. A exposição termina na 2ª. feira, dia 29.

Explosiva demanda na China – vendas crescerão 7% este ano para em torno de 20 milhões de veículos leves e pesados, cinco vezes mais que o Brasil – leva a situações inusitadas. Numa tentativa de controlar a procura e a nuvem de smog que envolve Xangai, leiloam-se placas para carros novos e podem alcançar até U$14.000/R$ 28.000. Por isso modelos pequenos e baratos não compensam tal investimento. Quem tem dinheiro quer conforto e mesmo automóveis médio-grandes contam com versões de entre-eixos alongados.

Além de o mercado chinês ser o maior do mundo, até 2020 deve alcançar 2,7 milhões de carros de luxo por ano, o que desbancaria também os EUA nesse segmento de topo. Portanto, soa natural eleger o Salão de Xangai para lançamentos como revitalização do Porsche Panamera, novo Maserati Ghibli ou Lamborghini Aventador 720-5, edição especial de 50 anos da marca. São lá as estreias do sedã A3 e dos conceituais crossovers (quase prontos) BMW X4, Mercedes-Benz GLA, este candidato à produção no Brasil, e Citroën DS4 X, apelidado de Wild Rubis por sua cor especial.

Para compensar os 17 novos produtos que a GM lançará este ano, além da tradicional ofensiva da VW que lidera entre automóveis, a Ford apresenta o carro-conceito Escort, originado de um Focus sedã anabolizado, específico para o mercado local. Honda exibiu o Crider, evolução do conceito C, mais próximo da nova geração do Civic que chega em quatro anos. Curioso é reestreia de uma marca americana de carro elétrico, Detroit Electric, que já produziu esse tipo de veículo de 1907 a 1939 (apenas 13.000 unidades).

Chinesas que constroem fábricas de automóveis no País também apresentam novidades. JAC A20, equivalente ao hatch J3, mostra dimensões semelhantes ao futuro modelo a ser feito em Camaçari (BA). Mas o carro será específico para o Brasil, inclusive versão sedã Turin, em estratégia semelhante à Hyundai Brasil com o HB20. Já o sedã A30 será importado em 2014, como J4. No total, há cinco lançamentos da marca e três modelos-conceito.

Chery também tem novidades. Além do novo QQ, subcompacto que será produzido em Jacareí (SP), ao lado do Celer, apresenta dois protótipos Alfa 7 (sedã) e Beta 5 (SUV), além do modelo futurístico @Ant.

RODA VIVA

CONFORME esperado, novo Fiesta, alinhado ao modelo europeu e início de produção apenas seis meses depois, começa a ser vendido em maio sem motor de 1 litro, inicialmente (depois chegará o 3-cilindros). Compacto estreia motor de duplo comando de válvulas variável, 1,5 litro/115 cv, nas versões mais baratas, e 1,6 litro/130 cv. Ambos dispõem da maior potência específica do mercado e partida sem gasolina em dias frios, ao usar etanol.

CONSUMO em cidade/estrada, com 130 cv e câmbio manual: 1 L/7,9 km e 1L/9,9 km (etanol) e 1L/11,4 km e 1L/13,9 km (gasolina). Com 115 cv: 1 L/7,8 km e 1L/9,6 km (etanol) e 1L/10,8 km e 1L/13,7 km (gasolina). Na média, motor mais potente é mais econômico, ao contrário do ocorrido no passado.

PREÇOS partem de R$ 38.990, pouco abaixo da maioria dos concorrentes de peso, e sobem até R$ 54.990, na versão Titaniun, que inclui sete airbags e câmbio automatizado de embreagem dupla, seis marchas. Ford investiu, ainda, em segurança ativa ao adicionar, aos modelos de maior cilindrada, controle eletrônico de trajetória e tração.

FIESTA apresenta, agora, estilo marcante: adotou nova grade frontal de identidade da marca e manteve tradicionais lanternas traseiras elevadas para melhor visibilidade. Interior também é novo e se nivela aos compactos “premium” do mercado brasileiro. Por enquanto, conviverá com Fiesta Rocam que continua com motor de 1 litro e preço menor.

SAVEIRO recebeu mesma frente de Gol e Voyage, na linha 2014. Assim tem condições de avançar em participação de mercado frente à líder Strada, que apresenta linhas já cansadas, mas não a ponto de lhe tomar a dianteira. Faltam motor mais forte (continua o de 1,6 l/104 cv como única e incômoda oferta) e preço competitivo, apesar de conjunto tecnicamente superior e estilo mais atual. Começa em R$ 33.490 (cabine simples) e R$ 36.610 (cabine estendida).

VERSÃO Cross, da picape compacta da VW, é a mais equilibrada do segmento. Combina tradicional espírito aventureiro, sem resvalar para o exagero e gosto duvidoso. De novo, seu preço atrapalha ao iniciar em R$ 48.990. Evolução em relação à Saveiro anterior aparece, com nitidez, exatamente nessa versão.

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Coluna Alta Roda Extra - CONEXÃO PARA TODOS OS FINS PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Calmon   
Ter, 23 de Abril de 2013 14:53
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Segundo a empresa de consultoria de tecnologia ABI Research, de Nova York (EUA), dentro de quatro anos mais de 60% da frota mundial de veículos terá conexão com a internet para navegar por satélite (GPS) ou trafegar dados. Na Europa e EUA o percentual pode chegar a 80%. Inclui até instalação de caixas pretas, semelhantes às de aviões, que ajudarão a esclarecer acidentes de trânsito. Desde já se discutem implicações sobre privacidade e mau uso dos dados armazenados ou captados de forma ilegal.

Embora possa parecer estimativa otimista, sem dúvida a tendência é essa. No caso do Brasil, o crescimento acelerado do uso de telefones inteligentes abre espaço para a internet a bordo de veículos. Rede celular de quarta geração, que estreia agora com velocidade de conexão 10 vezes maior que a melhor atual, será fundamental para expansão de serviços remotos. Terá abrangência e confiabilidade até 2017? Ninguém garante.

Algumas aplicações estão em campo, como Volvo on Call que aciona socorro de forma automática em caso de acidentes por meio de internet e telefonia celular. Outra utilização muito prática e de integração imediata ao dia a dia dos motoristas é o Teleservices, da BMW. Trata-se de avisos de manutenção programada ou corretiva via interação pela internet entre automóvel, fábrica e concessionária.

No Brasil o serviço começou, no fim de 2010, para alguns modelos da marca alemã com tela multimídia e bloco de comunicação (Combox). Em breve toda a linha estará assim equipada. O Teleservices é opcional e segue um roteiro.

– Veículo apresenta manutenção em atraso, item com desgaste ou problema iminente. Rede CAN-Bus interna detecta as falhas e automaticamente cria chamada de reparo, por meio da conexão Bluetooth e internet, de qualquer celular a bordo.

– Chamada chega à BMW, na Alemanha.

– Fábrica verifica componentes necessários e avisa, por meio da rede de dados ISPA, a concessionária brasileira vinculada ao veículo.

– Concessionária, após separar peças aplicáveis ao carro, entra em contato com o cliente por telefone ou SMS.

– Se o cliente aceitar o orçamento, basta agendar dia e hora para manutenção.

Esse esquema é previamente acertado com o dono do carro, que concorda em pagar pelo custo da chamada de dados móveis, mais barata que ligação telefônica. Em pouco tempo a Combox terá chip próprio de celular e funcionará mesmo sem telefone a bordo.

A fábrica eliminará carimbos e anotações em manual de manutenção. Tudo será feito de forma eletrônica e inviolável: por meio de rede Wi-Fi o automóvel, logo ao chegar à recepção da oficina, transmite às telas dos consultores técnicos os serviços a executar.

No fundo, a internet pode até mudar o modelo de negócio das concessionárias. Ao criar vínculo remoto entre carro e fabricante, ficará mais fácil atrair clientes para manutenção na rede autorizada, mesmo após o término da garantia. Por enquanto, se adapta melhor às marcas premium, mas o esquema tende a ser adotado por todos os fabricantes em médio prazo.

 
Coluna Alta Roda - PERDÃO OBRIGATÓRIO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Calmon   
Sex, 19 de Abril de 2013 08:56
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Quando a esmola é grande, o santo desconfia”. Eis um dos provérbios mais populares e que se aplica a um dos artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Reconhecido como minucioso em excesso, além de abrigar nada menos de 341 artigos, fora os anexos, o CTB deixou vários pontos por regulamentar, desde que entrou em vigor em 22 de janeiro de 1998.

E não para por aí. Coube ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovar resoluções regulatórias, com força de lei, sem contar as portarias do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em dezembro de 2008, a coluna recebeu uma publicação que consolida toda a legislação complementar. Trata-se de um calhamaço de 708 folhas de tamanho ofício e letra miúda. Se atualizado até 2012, talvez alcançasse as 1.000 páginas.

Punitivo por essência e quase nada educativo, no CTB há um conceito racional no Artigo 267:

Poderá ser imposta a penalidade de advertência por escrito à infração de natureza leve ou média, passível de ser punida com multa, não sendo reincidente o infrator, na mesma infração, nos últimos doze meses, quando a autoridade, considerando o prontuário do infrator, entender esta providência como mais educativa.

§ 1º. A aplicação da advertência por escrito não elide [N.R.: não elimina] o acréscimo do valor da multa prevista no § 3º do art. 258, imposta por infração posteriormente cometida.

§ 2º. O disposto neste artigo aplica-se igualmente aos pedestres, podendo a multa ser transformada na participação do infrator em cursos de segurança viária, a critério da autoridade de trânsito.”

Independentemente de jamais um pedestre (ou ciclista) receber multa, esse artigo foi, afinal, regulamentado e vige desde 2012, “apenas” 14 anos depois. Algo simples e justo, mas como tem potencial de redução na arrecadação de multas, ficou esquecido. O motorista pode redigir um recurso e pedir a conversão da multa, o que já desanima: poucos estão informados e/ou conhecem os trâmites.

Porém, a partir desse mês, o Detran do Distrito Federal, em rasgo de clarividência raro no setor, colocou seus programas de computador para funcionar. Caso se enquadre no Artigo 267, o infrator nem chega a receber notificação: ganha apenas advertência por escrito, conforme prescreve o código. Está aí um exemplo para aplausos. Todos os outros Detrans deveriam segui-lo, mas certamente não o farão, apesar das facilidades atuais da eletrônica de controle. Na realidade, a regulamentação nada impôs sobre o modo operacional e os governos não querem perder receita.

Mas há algo perverso, a tal esmola duvidosa. Por qualquer meio, o motorista não pode recorrer da pretensa infração convertida em advertência, mesmo sem concordar ou ter como provar que é inocente. Deve aceitar o perdão, sem discutir. É ou não é para o santo desconfiar?

 

RODA VIVA

APESAR de a GM nada revelar, a nova geração do Cruze (2015) será produzida na fábrica argentina de Rosario, como a coluna já antecipou. Cessará a montagem CKD do modelo, em São Caetano do Sul (SP). Tendência geral é essa: compactos aqui; médios-compactos, no vizinho. Por razões de menor escala de produção e controle “frouxo” de conteúdo local na Argentina.

PREÇO até R$ 2,9 milhões, motor V-12 dianteiro (6,2 l/740 cv) no lugar do V-8, aceleração de 0 a 100 km/h, em 3,1 s. Ferrari F12berlinetta foi pré-apresentado no autódromo de Interlagos, pouco mais de um ano após Salão de Genebra. Importador, Via Itália, afirma que esse superesporte pode lidar melhor com o dia a dia do que gerações anteriores. Inspiração Porsche?

PRISMA vai bem com motor de 1 litro/80 cv (mais potente nessa cilindrada, juntamente com o 3-cilindros HB20 e Clio), menos na estrada com carga total. Marchas precisam ser esticadas para ter agilidade. Versão de entrada (R$ 34.990) permite opção da ótima central multimídia. Na ergonomia, puxador nas portas, ruim; tampa do porta-luvas, ótima (abre para cima).

FLUIDEZ de linhas e espaço interno garantido por 2,7 m de distância entre-eixos, Cerato é aposta da Kia entre os médios-compactos. Agora com motor flex de 1,6 l/128 cv (igual ao HB20), o sedã vem completo, só versão topo. Mas seu preço disparou, ao não se enquadrar nas regras do Inovar-Auto. Por R$ 67.400 (automático, mais R$ 4.500), difícil concorrer.

OUTRO que perdeu competitividade em preço foi hatch Hyundai i30, cujo motor 2-litros foi substituído pelo 1,6-L. Atrapalha, ainda, a valorização recente do won sul-coreano. Nada dramático, como acontece com o iene japonês, porém relação preço-equipamento imbatível, aos poucos, pode sofrer erosão discreta.

SEM aumento do IPI, antes previsto para 1º de abril e agora mantido até 31 de dezembro, a estratégia de preços de cada marca teve que sofrer adaptações. Algumas aproveitaram para realinhar suas tabelas, além da simples adequação ao imposto que deixou de subir. Se não está vendendo tão bem, nada como aproveitar a deixa e usar a oportunidade para repensar a vida.

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